< Voltar

São Paulo e a escassez de terrenos

O gerente de lançamentos da Esquema Imóveis, David Farah, fala sobre a verticalização da capital paulista e a valorização de terrenos

 

O que determina o valor de uma região? Segundo David Farah, gerente de lançamentos da Esquema Imóveis, isso é resultado do tipo de projeto que pode ser construído em determinada localização. A proximidade aos eixos econômicos e às regiões com melhor infraestrutura da cidade tende a fazer com que certas localizações sejam mais demandadas. São as limitações construtivas que geram escassez, já que a impossibilidade de replicar um projeto o torna único.

“O desenvolvimento de novas áreas é a forma mais consistente em que as incorporadoras têm atuado”, explica Farah. “Se tomarmos como exemplo a Avenida Rebouças, basta lembrar de uma matéria da Veja, de outubro de 2017, que falava da avenida com imóveis desvalorizados, abandonados, pichados. Já em novembro de 2018, na mesma revista, a matéria era sobre sua revitalização. O zoneamento tornou isso possível.”

De acordo com o gerente de lançamentos, hoje são aproximadamente 27 projetos de 17 diferentes incorporadores ao longo da Avenida Rebouças, que se valorizaram em média 12% ao ano, nos últimos 4 anos, com empreendimentos que chegaram a 87% de valorização no período. “Os olhares agora se voltam ao ‘baixo Pinheiros’, que tem o maior coeficiente de equivalência CEPAC por metro quadrado adicional em toda a Operação Urbana Faria Lima e vem atraindo projetos inovadores e sustentáveis, como o LAPI, um complexo com mais de 13 mil m² de quadras integradas, contemplando lojas, centro gastronômico, lajes corporativas e residenciais, que deve trazer mais investimentos secundários e valorização equivalente ou até superior à experimentada ao longo da Rebouças”, afirma.

Produzir um empreendimento de características exclusivas, com maior valor agregado, em terrenos menores e de localização ímpar tem sido o caminho adotado por alguns incorporadores. São projetos que sequer chegam ao conhecimento do público em geral, uma vez que são comercializados a um restrito grupo de moradores, que entendem o valor dessa exclusividade e aceitam pagar por ela. Felizmente o nosso cliente tem acesso a estes empreendimentos

O retrofit, ou seja, a modernização total de prédios antigos, eventualmente alterando sua função original (de comercial, corporativo ou hotelaria, para residencial), também tem sido uma opção. “O movimento é mundial e existem alguns fundos de investimentos que são dedicados a esse nicho”, observa Farah.

 

A verticalização de São Paulo

Até 1972, quando foi elaborado o primeiro Plano Diretor de São Paulo, existiam atos, leis e decretos que regulamentavam apenas pontualmente as diretrizes de ocupação do solo. “Esse PDDI (Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado) vigorou por 40 anos e apenas em 2002 tivemos, de fato, uma legislação mais abrangente e com visão de desenvolvimento para a cidade”, conta Farah.

A Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, tem como ideia central segmentar a cidade sob 3 fundamentos: transformação, qualificação e preservação, resultando em 36 subcategorias, que orientam desde o percentual do terreno que pode ser utilizado até o tipo de atividade que pode ser desenvolvida. “É importante ressaltar que apenas 18% do zoneamento atual é considerado como transformação, que é o ‘alvo usual’ das incorporações justamente pelo potencial construtivo superior, enquanto a categoria de qualificação é a predominante. Nela, encontramos o zoneamento misto, os corredores e as áreas de interesse social. Tudo isso origina ou vai moldar a vocação do terreno”.

As áreas de preservação não se limitam a questões ambientais e estão relacionadas com a qualidade de vida dos moradores. Com densidade demográfica baixa, arborização intensa e pouca área comercial, as conhecidas Z1, quando próximas aos eixos mais importantes da cidade, tornam-se as mais demandadas. Sua valorização se expande inclusive às áreas limítrofes, onde o zoneamento permite maiores potenciais de edificação, o que acaba valorizando todo o entorno.

 

 

A incorporação de terrenos

A escassez de terrenos segue dois principais parâmetros: a demanda nos chamados eixos econômicos e as restrições impostas pelo zoneamento. “É intuitivo pensar que os bairros mais nobres, como Jardins, Vila Nova Conceição e Itaim, sejam os mais escassos em relação à oferta de terrenos. Essa escassez diminui na medida em que nos afastamos desses centros de desenvolvimento”, acrescenta o gerente de lançamentos da Esquema Imóveis. “Regiões desenvolvidas primariamente, como as áreas limítrofes ao eixo da Avenida Paulista, também apresentam escassez. A questão pesa mais sobre o preço das áreas que podem ser formadas do que o terreno em si. Soma-se a isso a atual legislação, que restringe de várias formas a ocupação, verticalização e adensamento.”

Ou seja, a escassez não é necessariamente a falta de terrenos, mas a falta de terrenos viáveis e que justifiquem um empreendimento. Nesse contexto, detectar oportunidades é o principal motivador de uma incorporação. “Tudo começa estudando os mercados, entendendo o que já funcionou e como funcionou, bem como os porquês de algum projeto não ter alcançado o sucesso esperado”, explica Farah. Quanto mais criteriosa for a análise, maior a probabilidade de acerto. “O produto certo no lugar ou no momento errado não funcionará. Assim como o produto errado na melhor localização também não terá sucesso, ao longo do tempo.”

O processo de escolha do terreno também varia. “Às vezes, tem-se o projeto e a pesquisa de mercado mostrará onde construir. Outras vezes, tem-se o terreno e o estudo é sobre que tipo de projeto será construído”, descreve o gerente. Há ainda incorporadores que têm tanto o terreno quanto o projeto, mas aguardam o momento ideal do mercado, para seu lançamento, ou ainda os que têm capacidade para “carregar” o terreno até que uma área satisfatória seja formada, em um processo que pode levar décadas. Mas, se o investidor acerta nas análises e no projeto, a região se valoriza com a chegada de um novo empreendimento, os bons ativos ali existentes acompanham a valorização e a economia da região se aquece como um todo.

 

ARTIGOS
RELACIONADOS

Vinicius Nageishi, da área de desenvolvimento imobiliário da Esquema Imóveis, fala sobre as vantagens e perfis de imóveis em cada zoneamento   A escolha de um imóvel para morar ou investir, seja ele pronto ou em fase de lançamento, precisa levar em consideração um aspecto muitas vezes deixado de lado:…

Trouxemos o ranking das cidades com o maior valor por metro quadrado, para exemplificar as diversas razões da valorização de certos imóveis, desde a demanda e a localização até o projeto arquitetônico   Você já se perguntou onde fica o metro quadrado mais caro do mundo? E do Brasil? Esse…

O segundo semestre de 2020 mostra um aquecimento no mercado de alto padrão, com boas oportunidades para compra de imóveis   O ano de 2020 tem sido atípico para a maioria dos segmentos, mas o segundo semestre já traz números que indicam uma retomada. Entre os motivos que impediram uma…

É possível definir um padrão de consumo apenas por distinções geracionais?   A Geração Z, composta por indivíduos nascidos entre meados dos anos 90 e o início dos anos 2010, é uma das mais estudadas e discutidas nos dias de hoje. Com o rápido avanço da tecnologia e a crescente…

O diretor jurídico da Esquema Imóveis, Rafael Antal, fala sobre as principais taxas e impostos envolvidos na compra e venda de imóveis   Considerar as taxas e impostos é um aspecto necessário, no processo de compra ou venda imobiliária, uma vez que eles podem impactar no valor final da negociação….

Conheça os impactos no mercado imobiliário desses mecanismos públicos de gestão e desenvolvimento urbano   As Operações Urbanas são instrumentos de intervenção pública que podem ajudar a modificar a paisagem e a ocupação das cidades, principalmente em grandes metrópoles como São Paulo. Elas estabelecem regras e incentivos para o adensamento…

Nativos digitais têm forte atuação nas ofertas de imóveis   A Geração Z, como se sabe, é composta por jovens adultos e adolescentes com forte atuação na construção do País. Dentre suas influências diversas, destaca-se a forma como esse grupo se relaciona com o mercado imobiliário e, consequentemente, mobiliza incorporadoras,…

Região de alta concentração de renda, com empreendimentos comerciais e residenciais, o Itaim Bibi tem atraído jovens profissionais e investidores   Inspirados nos Yuppies (abreviação para Young Urban Professional, jovens executivos do mercado financeiro e corporativo norte-americano, em especial da cidade de Nova York), os paulistanos criaram sua própria denominação:…