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O mercado imobiliário e a antifragilidade

O ano de 2020 foi desafiador, mas está terminando de maneira positiva, principalmente para o segmento de alto padrão

 

Não é fácil traçar um panorama do mercado imobiliário em um ano tão atípico como 2020. Afinal, fomos surpreendidos com muitas situações novas, que jamais teríamos previsto. No entanto, podemos nos considerar privilegiados, já que nosso segmento foi um dos menos atingidos pelos impactos e incertezas provocados pela crise mundial. O que podemos afirmar, contudo, é que a maneira como reagimos aos acontecimentos foi fundamental para determinar nossos resultados este ano.

“O início de 2020 foi de certa normalidade. O mercado estava se recuperando de anos passados e já vinha com uma tendência de melhora. Houve uma baixa na taxa de juros ainda antes da pandemia, o que se reflete diretamente na economia como um todo, principalmente no apetite de compra no setor imobiliário”, explica Marco Túlio Vilela Lima, CEO da Esquema Imóveis.

Túlio acrescenta que, nos dois primeiros meses da pandemia no Brasil, em que foi declarado o lockdown, houve uma parada geral nos negócios. “Ninguém sabia como isso impactaria a economia. Mas, passado esse período inicial, as pessoas passaram a olhar novamente para imóveis, o que é natural em momentos de incerteza, quando a tendência é recorrer a ativos não líquidos, mais concretos”, ressalta.

Com a taxa de juros reduzida a patamares históricos, nosso dinheiro se tornou mais “barato”, o que tornou vantajoso obter empréstimos para investir em imóveis. Além disso, muitas pessoas sentiram a necessidade de mudar de casa, após a experiência do home office. “O lar se tornou mais valorizado. Coisas que não incomodavam tanto, quando se ia para casa apenas para dormir, tornaram-se mais incômodas. Isso provocou um aquecimento em um nicho específico: o de casas, já que as pessoas passaram a procurar imóveis com jardim e espaço aberto”, observa o CEO.

 

Aquecimento do mercado

A partir de maio e junho, o mercado imobiliário se aqueceu fortemente. Foi o início da recuperação. Segundo Túlio, os clientes mais dolarizados, ou que possuíam aplicações no exterior, perceberam as vantagens de comprar imóveis de alto padrão em reais – já que a moeda estrangeira se valorizou muito no país. “A capacidade de compra desse público aumentou, impactando positivamente o nicho de imóveis acima de R$ 10 milhões. Outros segmentos, como de veraneio e condomínios de luxo fora de São Paulo, também foram muito procurados. Foi uma janela de oportunidades”, comenta Túlio.

Além disso, empresas focadas em lançamentos observaram um aumento significativo em seu faturamento, principalmente a partir do segundo semestre de 2020. “Esse foi o segmento que mais cresceu no mercado imobiliário como um todo. Quando se fala em lançamentos, as construtoras e incorporadoras precisam ter uma garantia de que irão ter um retorno sobre seu investimento. Por isso, tendem a observar a macroeconomia e a expectativa de valorização dos imóveis para lançar seus empreendimentos.

 

Evolução e consolidação

Túlio explica que, durante a quarentena, a Esquema Imóveis optou por se concentrar em restruturações internas. O ano em que a empresa completou seu cinquentenário foi também o momento de se consolidar ainda mais no mercado e seguir evoluindo. “Aproveitamos esse período para qualificar melhor nosso quadro de profissionais. Foi um período de maturação e de mudança, que irá render bons frutos”, afirma.

Uma certeza, para Túlio, é que a Esquema Imóveis termina 2020 muito mais forte e estável – o que não está relacionado apenas ao faturamento, mas ao tipo de negócios que são realizados. “Queremos crescer sempre, isso é natural, mas prefiro um crescimento controlado. Este ano, pudemos fazer mudanças de processos, atualizações de sistemas, contratação de pessoas… Aproveitamos o momento para pensar internamente, olhar mais para dentro da empresa, observar o que precisávamos fazer para melhorar. Nosso foco foi em reorganização”, salienta o CEO.

 

O imponderável e a antifragilidade

Entre os maiores desafios enfrentados no decorrer de 2020, Túlio cita a necessidade de repensar a realidade. “Tivemos que fazer um shift na nossa cabeça. Sempre fomos muito voltados ao comercial, pensando em vendas. A pandemia nos levou a focar em relacionamentos, tanto com os clientes quanto com a equipe. Nossas maiores preocupações foram manter a união, a motivação e o cuidado com todo mundo”, destaca. “Respondemos na hora certa aos acontecimentos. Foi muito bom olhar para dentro, fazer essa espécie de ‘retiro espiritual’ da empresa. Aprendemos sobre nós mesmos, sobre o que queremos, e nos preparamos para garantir a perpetuidade da Esquema Imóveis.”

Para Túlio, o maior aprendizado trazido pela pandemia foi perceber o quanto somos afetados pelo imprevisível. Por isso, ele prefere não falar sobre previsões para 2021. “Minha única expectativa é de um mercado mais estável e equilibrado no que diz respeito à oferta e demanda, com menos oscilações”, aponta. Felizmente, o segmento de alto padrão é o que menos sofre impactos, segundo o CEO, já que sempre há pessoas querendo vender e outras precisando comprar.

Túlio indica ainda um autor e filósofo que tem influenciado seu pensamento a respeito do futuro: Nassim Nicholas Taleb, que escreveu os best-sellers A Lógica do Cisne Negro e Antifrágil: Coisas que se Beneficiam com o Caos. “Nós lidamos com o imponderável. O ‘cisne negro’, de acordo com Taleb, representa esses acontecimentos que você não consegue prever. São fatos que causam um impacto muito grande e moldam o caminho da humanidade. Obviamente, quando acontecem, pensamos que poderiam ser previstos, mas não é bem assim. Esse imponderável, principalmente quando se fala em economia, pode mudar tudo”, descreve.

“A única coisa que é ponderável é o serviço que você está oferecendo. Esse é o ponto fundamental. Não dá para prever o ‘cisne negro’, mas é possível saber se você está preparado para enfrentá-lo”, ressalta Túlio. “Há outro livro de Taleb, Antifrágil, que aborda exatamente isso. Posso dizer que a Esquema Imóveis, hoje, desenvolveu muito sua antifragilidade.”

Citando Nassim Taleb: “Algumas coisas se beneficiam de choques externos; elas prosperam e crescem quando expostas a volatilidade, aleatoriedade, desordem e estressores.” Ou seja, o autor acredita que ser antifrágil é mais do que mostrar resiliência e força, mas saber evoluir e melhorar com cada obstáculo. Túlio acredita que isso foi exatamente o que aconteceu com a Esquema Imóveis. “Não controlamos o que acontece, mas podemos controlar nossa reação a isso e nos preparar para o imponderável. Foi um ano especial e conseguimos aproveitar para repensar e aprimorar nossas formas de trabalho”, conclui o CEO.

 

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