Arquitetos que Amamos

Mulheres de fibra

Conheça o trabalho de doze arquitetas reconhecidas mundialmente, entre elas Lina Bo Bardi, Zaha Hadid e Carla Juaçaba

 

O papel das mulheres na arquitetura foi, por muitos anos, ignorado ou diminuído. Aos poucos, com muita criatividade e talento, profissionais dessa área vêm derrubando barreiras e deixando suas marcas em projetos arquitetônicos arrojados ao redor do mundo. Selecionamos algumas dessas mulheres extraordinárias, trazendo um pouco de suas histórias e também suas obras mais relevantes.

 

Lina Bo Bardi

Nascida italiana e naturalizada brasileira, a arquiteta Lina Bo Bardi se tornou conhecida por explorar as possibilidades sociais da arquitetura urbana e promover soluções inovadoras para a vida coletiva. Utilizando conceitos muitas vezes radicais, porém simples, ela considerava a arquitetura não como uma mera obra construída, mas uma maneira de ser e de encarar diferentes situações.

Entre seus projetos mais emblemáticos estão o edifício do MASP – Museu de Arte de São Paulo, a sede do SESC Pompeia, o Teatro Oficina, o MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Casa de Vidro.

 

 

 

Sesc Pompeia, de Lina Bo Bardi, em São Paulo

 

Zaha Hadid

A arquiteta de origem iraquiana Zaha Hadid, falecida em 2016, com certeza é uma das mulheres que mais se destacaram mundialmente na arquitetura e no design, por suas ideias arrojadas e experimentações. Ela foi a primeira mulher a receber o prêmio arquitetônico mais importante do mundo, o Pritzker Architecture Prize. Zaha também foi descrita pelo jornal britânico The Guardian como a “rainha da curva”, por sua busca constante de liberdade na geometria arquitetônica, dando a seus projetos uma identidade muito expressiva.

Entre as principais obras da arquiteta estão o London Aquatics Centre, na Inglaterra, Broad Art Museum, nos Estados Unidos, Museo MAXXI de Roma, na Itália, Guangzhou Opera House e Galaxy Soho, na China. Alguns de seus projetos foram concluídos apenas após sua morte, como o aeroporto internacional de Daxing, também na China, e o estádio Al Wakrah, no Qatar.

 

Galaxy Soho, de Zaha Hadid, em Beijing (China)

 

Neri Oxman

Nascida em Israel, a visionária arquiteta inventou o termo “ecologia material”, para descrever seu interesse em construir prédios com formas biológicas. Ela não apenas tenta imitar esses elementos em seus projetos, mas realmente incorpora componentes naturais como parte da construção. O resultado são obras que passam a impressão de ter vida própria.

Atualmente, Neri leciona no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde explora o conceito de que a arquitetura contemporânea está deixando de seguir um sistema de produção em massa, no qual os produtos eram manufaturados separadamente, e partindo para obras que combinem e integrem a estrutura com a parte externa, como um organismo vivo.

 

Silk Pavillion, de Neri Oxman, em Cambridge (Estados Unidos)

 

Eileen Gray

Considerada uma das grandes mentes irlandesas do século XX, a artista e arquiteta Eileen Gray conquistou reconhecimento por seu trabalho em design de móveis e decoração de interiores, com projetos que inspiraram muitos arquitetos e artistas das escolas art déco e Bauhaus. Contudo, a obra que marcou seu nome como uma das maiores arquitetas da história certamente foi a casa E-1027, construída entre 1926 e 1929, um projeto modernista muito comparado ao estilo de Le Corbusier (famoso arquiteto franco-suíço, que estabeleceu as bases do modernismo arquitetônico de características funcionalistas).

A diferença do trabalho de Eileen para Le Corbusier estava justamente no design de interiores, já que ela não via uma casa como uma “máquina” e sim como um “organismo vivo”, defendendo que o interior deveria completar a fachada de maneira harmoniosa. Eileen viveu na casa projetada por ela com seu parceiro, o também arquiteto Jean Badovici. Após a separação do casal, no entanto, Le Corbusier foi convidado a morar no local, mas pintou as paredes de seu interior – o que a arquiteta considerou uma afronta. Durante as décadas seguintes, a casa passou por diferentes proprietários e teve sua integridade ameaçada, embora hoje se encontre em processo de restauro.

Casa E-1027, de Eileen Gray, em Roquebrune-Cap-Martin (França)

 

Amanda Levete

Durante cerca de 20 anos a arquiteta Amanda Levete, nascida no país de Gales, trabalhou na conceituada Future Systems. Fundada com seu ex-marido, o arquiteto Jan Kaplický, a empresa realizava o que eles chamavam de blobitecture (blob architecture).

Em 2009, Amanda criou sua própria empresa, a premiada AL_A. O trabalho da arquiteta segue um conceito de “sonhar além do limite”, ou seja, não enclausurar a arquitetura ao espaço, ou à distinção entre o interior e o exterior. Seus projetos são intuitivos e inovadores, com extrema atenção aos detalhes. Ela busca ainda explorar a aplicação de novos materiais e técnicas para criar um impacto positivo que vai além do edifício, reverberando em todo o contexto urbano e desafiando as noções de área privada e pública.

Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), de Amanda Levete, em Lisboa (Portugal)

 

Odile Decq

Nascida em 1955, a francesa Odile Decq cresceu acreditando que era preciso ser homem para ser arquiteto. Sua alternativa foi estudar história da arte, mas ela acabou descobrindo na arquitetura sua verdadeira paixão. Depois de algum tempo atuando na área, fundou sua própria escola, Confluence Institute for Innovation and Creative Strategies in Architecture, em Lyon, na França.

Com seu estilo punk gótico e ideias extremamente ousadas, sempre quebrando regras e lutando pela igualdade de gêneros na profissão, Odile recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira. A força e a criatividade de suas obras podem ser vistas em projetos que abrangem desde galerias de arte e museus até restaurantes e edifícios residenciais.

 

Museu FRAC Bretagne, de Odile Decq, em Rennes (França)

 

Kazuyo Sejima

A arquiteta japonesa Kazuyo Sejima é conhecida por seus projetos com elementos modernistas, como superfícies espelhadas, quadrados e cubos, com materiais como vidro, mármore e metal. Sócia da empresa SANAA, em Tóquio, com Ryue Nishizawa, ela é responsável por criar inúmeros projetos premiados ao redor do mundo, em países como Alemanha, Suíça, França, Inglaterra, Holanda, Espanha e Estados Unidos. Ao vencer o prêmio Pritzker em 2010, o trabalho da dupla foi chamado de “cerebral” e “enganosamente simples”. Em suas obras, Kazuyo busca explorar as possibilidades cognitivas da arquitetura e a maneira como uma construção pode impactar o modo como vemos a nós mesmos.

Alguns de seus principais projetos incluem o EPFL Rolex Learning Center, em Lausanne, o New Museum em Nova York, o Glass Pavilion no Toledo Museum of Art e o museu Sumida Hokusai, em Tóquio.

Museu Sumida Hokusai, de Kazuyo Sejima, em Tóquio (Japão)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Susana Torre

Nascida na Argentina, a arquiteta Susana Torre residiu durante boa parte de sua vida nos Estados Unidos e na Espanha, atuando também como professora e escritora. Com uma carreira que soube combinar preocupações teóricas com a realidade prática das construções, ela foi a primeira mulher convidada a projetar um prédio em Columbus (EUA), cidade conhecida internacionalmente por sua coleção de projetos de arquitetos renomados.

Além de seu ativismo feminista no campo da arquitetura, Susana foi uma pesquisadora da individualidade e do papel do usuário no ambiente projetado, com propostas para espaços coletivos que fossem flexíveis e adaptáveis às particularidades de cada pessoa. Ela acreditava que a vida, entendida como um processo dinâmico, pedia espaços que se transformassem e se adaptassem às circunstâncias.

La Casa de los Significados, de Susana Torre, em Carboneras (Espanha)

 

Norma Merrick Sklarek

A longa carreira da arquiteta norte-americana Norma Sklarek foi de muito pioneirismo. Ela foi a primeira mulher negra a se tornar uma arquiteta registrada nos estados de Nova York e da Califórnia. Também foi a primeira mulher negra a ser reconhecida como membro do American Institute of Architects College of Fellows, uma organização que honra o trabalho de arquitetos que tenham feito contribuições significativas à profissão e à sociedade.

Durante boa parte de sua carreira, Norma foi diretora da Gruen Associates, em colaboração com o arquiteto César Pelli. Entre suas principais obras estão a Embaixada dos Estados Unidos em Tóquio, o Terminal One Station no Aeroporto Internacional de Los Angeles, o Pacific Design Center, também em Los Angeles, e o San Bernardino City Hall.

 

Pacific Design Center, de Norma Merrick Sklarek, em Los Angeles (Estados Unidos)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carme Pigem

A arquiteta espanhola Carme Pigem conquistou fama mundial em 2017, quando ganhou o Pritzker ao lado de seus parceiros da RCR Arquitectes, Rafael Aranda e Ramon Vilalta – um feito histórico, já que pela primeira vez o prêmio foi concedido a três profissionais ao mesmo tempo. O escritório de arquitetura do trio é conhecido por sua abordagem colaborativa na criação de projetos tanto públicos quanto privados.

Buscando repensar estereótipos e focando na essência do uso para o qual cada obra se destina, a arquitetura de Carme explora de maneira dinâmica e criativa a harmonia entre o objeto construído e seu entorno.

 

Lake Pavilion, de Carme Pigem, em Llagostera (Espanha)

 

 

 

 

 

Amale Andraos

Nascida nos Estados Unidos, Amale Andraos é uma das arquitetas contemporâneas mais reconhecidas no país e no mundo. Ela é reitora da Escola de Arquitetura da Columbia University e cofundadora da empresa WORKac, que ganhou prestígio por reimaginar a arquitetura como uma intersecção entre o ambiente urbano e o natural.

A proposta do escritório é criar cenários alternativos para o futuro das cidades. Recentemente, o trabalho de Amale também passou a explorar questões de representatividade, com a publicação The Arab City: Architecture and Representation.

Museum Garage, de Amale Andraos, em Miami (Estados Unidos)

 

Carla Juaçaba

Para fechar esta lista com chave de ouro, mais uma brasileira que está se destacando no cenário da arquitetura contemporânea, com foco em projetos culturais e residenciais. A carioca Carla Juaçaba foi vencedora, em parceria com a artista Bia Lessa, do primeiro arcVision Prize, uma premiação internacional para mulheres que atuam de forma inovadora nessa área. O que mais impressionou o júri foi a criatividade de Carla no Pavilhão Humanidade, projetado para a Conferência de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. A arquiteta demonstra uma sensibilidade única para entender o contexto no qual suas obras serão inseridas.

Carla já lecionou na escola de design de Harvard, na Universidade de Toronto e na escola de arquitetura da Columbia University. Seus projetos demonstram uma preocupação com questões ambientais e sociais, buscando soluções sustentáveis e não convencionais.

Casa Rio Bonito, de Carla Juaçaba, no Rio de Janeiro

 

 

 

 

 

 

 

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