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Fernando Campana: Um legado artístico

Referência do design contemporâneo brasileiro, defendeu sempre a cultura como inspiração de suas obras

 

Nascido em Brotas, no interior de São Paulo, Fernando Campana, junto com seu irmão Humberto, criou uma das grifes mais reconhecidas internacionalmente no mundo do design, da moda, da cenografia e do luxo: O Estúdio Campana.

Fernando se formou em em Arquitetura pela Belas Artes, influenciado pela sua preferência pelo Teatro, a fim de trabalhar com cenografia, porém logo depois iniciou sua parceria com o irmão e juntos, se lançaram no mercado do design e da arquitetura. Ambos lançaram a primeira série de cadeiras de metal, que deu origem à sua primeira coleção, chamada Desconfortáveis.

A mostra se destacou em um período em que o funcionalismo era uma constante no design de mobiliário. Ela apresentou móveis inusitados, onde o conforto realmente passava longe e as peças eram diferentes e até mesmo provocativas, o que já passava a ideia que os irmãos iriam fugir do óbvio e do blasé em suas criações.

 

Newman Chair

 

Após o grande sucesso da primeira mostra, os irmãos chamaram a atenção da mídia italiana, onde a revista Domus, publicou uma matéria elogiando a originalidade e a irreverência dos dois.

Foi a porta de entrada dos Campana para o mercado de arte internacional. 

A grife Edra, também italiana, os chamaram para desenvolver uma série de peças exclusivas para a marca e pouco depois, tiveram sua primeira exposição no MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York, que foi tão irreverente que os ajudaram a ter cada vez mais visibilidade e a conseguir diversas mostras individuais pela Europa. 

Hoje, facilmente encontramos peças dos Campana, em acervos permanentes importantes, como o do centro Georges Pompidou, na capital francesa, o do Design Museum, em Londres, e o do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio.

 

Foto: Divulgação – Pompidou Centre

 

Reciclar e Reinventar

 

Antes da reciclagem se tornar imperativa, os Campana já demonstravam uma preocupação em reutilizar materiais a fim de promover a sustentabilidade e já reutilizavam plásticos bolha, cordas, novelos de linha e sarrafos de madeira.

Em 2015, o Instituto Campana e o Projeto Arrastão, com sede no Campo Limpo, iniciaram uma parceria a fim de estimular a criatividade na produção de objetos considerando reciclagem, transformação e reinvenção. O material escolhido para ser utilizado foi calças jeans, doadas ao Arrastão por uma empresa de moda. Durante o workshop, os jovens que estavam inscritos no projeto, desenvolveram alguns caminhos transformando os jeans em mobiliário e objetos.

Com as peças produzidas, os irmão aperfeiçoaram os projetos e o resultado foram as coleções BlackPower (banco), MultiPocket (banco alto, banco baixo e toalha de mesa), Estrela (almofada).

 

Peças exclusivas feitas pelos jovens do Projeto Arrastão

 

Muito além dos corredores de museus

 

Além de suas peças e mostras pelo mundo, é comum acharmos os trabalhos de Fernando e Humberto em hotéis da Grécia, Tailândia e França – incluindo o Café Campana, no Museu D’Orsay – e peças exclusivas de grifes da moda, como Louis Vuitton, Edra, Camper, Baccarat, Alessi…

“Precisamos trazer a memória afetiva para dentro de casa. O meu olhar é de preservação, cinema, cultura em geral.” Fernando Campana

 

Apostaram também em cenografias para a São Paulo Fashion Week, na decoração do bar-restaurante do Theatro Municipal de São Paulo, uma ou outra peça para Melissa, H. Stern e TokStok, e até uma peça-instalação para o mercado imobiliário, um parque de bolso com feirinha de orgânicos – que ligaria a avenida Paulista à Cidade Matarazzo – projeto que infelizmente não saiu do papel, após enfrentar a oposição da vizinhança da Bela Vista.

Ele e Humberto assinaram mais de 20 exposições durante sua carreira e ganharam prêmios importantes no mercado da arte e arquitetura, tais como o Prêmio Especial do Museu da Casa Brasileira, George Nelson Design Award, da Interiors Magazine e a Nombre d’Or, do Salon du Meuble de Paris.

Fernando Campana, morreu em setembro de 2022, aos 61 anos, apenas poucos dias depois de ter aberto uma exposição com seus trabalhos artísticos mais recentes e inéditos na Galeria Luciana Brito, a Polifonia Campana. Ele deixa um legado lúdico e repleto de ousadia para o mercado de ‘Design-Arte’ e seu olhar visionário foi eternizado em suas obras ao redor do mundo.

 

“Fernando, era alguém que queria tudo. Queria morar em Marte, Vênus. Ele não se contentava só com este plano aqui. E a gente se divertiu muito”. Humberto Campana, designer e irmão de Fernando.

 

Quer saber mais sobre a história dos maiores arquitetos da atualidade? Não deixe de conferir no nosso blog o Arquitetos que Amamos.

 

 

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