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Casas e prédios icônicos de São Paulo

No aniversário da capital paulista, conheça um pouco mais sobre a arquitetura residencial da cidade, com obras de Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Lina Bo Bardi e Artacho Jurado

 

No dia 25 de janeiro de 2022, a cidade de São Paulo comemora seu aniversário de 468 anos. Ao longo desses mais de quatro séculos de história, a capital paulista não apenas se expandiu, como foi cenário de verdadeiras revoluções nos campos da arquitetura e do urbanismo.

Foi em São Paulo, por exemplo, que o modernismo na arquitetura brasileira floresceu, a partir dos anos 1950 e 1960, quando a metrópole passava por um crescente processo de verticalização. A cidade abriga diversos exemplares icônicos da arquitetura residencial do Brasil, seja em prédios ou casas de alguns dos profissionais mais criativos e renomados do país.

 

Casa Modernista, de Gregori Warchavchik

Considerada a primeira casa moderna brasileira, foi erguida em 1928 na Rua Santa Cruz, no bairro da Vila Mariana. O arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik era casado com a paisagista Mina Klabin e, para a residência do casal, projetou uma edificação de formato racionalizado, inspirada nos conceitos da escola Bauhaus e cercada por plantas tropicais. Embora tenha aprovado um projeto convencional junto à Prefeitura (com janelas em estilo colonial e simetria rígida), ele alegou que não possuía recursos para concluir a casa, que pode assim manter seu arrojado design vanguardista.

 

Casa Zalszupin, de Jorge Zalszupin

Hoje sede do Instituto Jorge Zalszupin, a Casa Zalszupin foi residência do arquiteto e designer durante quase 60 anos, até seu falecimento, em 2019. Localizada no Jardim América, próxima à Alameda Gabriel Monteiro da Silva, a casa traz influências escandinavas e brasileiras, onde o arquiteto experimentou com a mistura de elementos e referências, explorando de forma orgânica a iluminação natural e a distribuição dos espaços. Os móveis também foram desenhados por Zalszupin.

 

Casa no Butantã, de Paulo Mendes da Rocha

Com características brutalistas e presença marcante de concreto, a Casa no Butantã, de Paulo Mendes da Rocha, foi criada para servir de residência para o próprio arquiteto, na década de 1960. O projeto, de estrutura simples, sustentado por quatro pilares e duas vigas, é um verdadeiro estudo de racionalização. Janelas modulares se espalham por todas as fachadas, permitindo a entrada de muita iluminação natural, e o mobiliário é integrado à arquitetura.

 

Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi

Assim como vários arquitetos brasileiros, Lina Bo Bardi utilizou elementos da arquitetura moderna para projetar a Casa de Vidro, onde residiu com seu marido Pietro Maria Bardi durante aproximadamente 40 anos. Construída em 1951, aproveitando os declives naturais do terreno, a casa foi estruturada sobre pilotis, em muros de concreto que se contrapõem à leveza da fachada principal, totalmente integrada com a natureza do entorno. Localizada no Morumbi, região que já foi dominada pela Mata Atlântica, a casa hoje é sede do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi e foi tombada pelo Condephaat.

 

Residência Tomie Ohtake

Com projeto do arquiteto Ruy Ohtake, hoje tombada pelo Conpresp, a casa-ateliê no Campo Belo foi residência da artista plástica Tomie Ohtake de 1970 (quando foi concluída a primeira fase da construção), até 2015, ano de seu falecimento. Localizada em um terreno estreito e comprido, em formato de L, e tendo como material principal o concreto aparente, a casa ocupa completamente a área linear do terreno, com ambientes distribuídos de maneira livre e sem grandes obstruções. Portas de vidro e painéis de cores fortes fazem as delimitações dos espaços e acrescentam vivacidade aos ambientes.

 

Edifício Copan, de Oscar Niemeyer

Um dos mais emblemáticos prédios residenciais de São Paulo, o Edifício Copan é considerado o principal projeto de Oscar Niemeyer na cidade. Sua característica marcante é o formato ondulado, que dá fluidez à fachada. Localizado no centro histórico, o prédio é uma mistura de imóveis residenciais (são 38 andares, com 600 apartamentos) e estabelecimentos comerciais, incluindo livrarias e o tradicional Bar da Dona Onça no térreo, além de contar com um mirante. Sua construção se iniciou em 1952, mas o edifício foi concluído apenas em 1966.

 

Conjunto Nacional, de David Libeskind

De autoria do arquiteto David Libeskind, o Conjunto Nacional se destaca por ter sido o primeiro complexo na cidade de uso misto: comercial e residencial. O prédio, erguido entre 1952 e 1958, foi também um dos primeiros grandes edifícios da Avenida Paulista. O projeto de Libeskind se destaca por seu diálogo entre o espaço privado e o público, já que o térreo possui uma área de passeio aberta à circulação, com pisos que remetem ao desenho das calçadas. É como se o espaço urbano se expandisse para dentro do edifício, em uma proposta inovadora de simbiose urbana.

 

Edifício Saint Honoré, de João Artacho Jurado

Outro marco da Avenida Paulista, o projeto de João Artacho Jurado chama a atenção por sua imponência e estilo clássico. Implantado em formato de L, conta com amplos jardins no térreo e apartamentos com enormes varandas. Com 25 pavimentos e 6 unidades em cada andar, o prédio residencial foi totalmente vendido na planta, na época de sua concepção. Suas obras se iniciaram em 1955 e foram concluídas apenas em 1962.

 

Edifício Paulicéia, de Gian Carlo Gasperini e Jacques Pilon

Também na Avenida Paulista, o arrojado projeto de Gian Carlo Gasperini e Jacques Pilon, construído entre 1956 e 1959, preserva suas características modernistas, com fachada de pastilhas azuis e esquadrias pretas. O condomínio conta com duas torres idênticas, cada uma com 23 andares e 240 apartamentos. Em 2010, os prédios foram tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo).

 

Edifício Cícero Prado, de Gregori Warchavchik

Com projeto modernista de Gregori Warchavchik, o Condomínio Albertina, Cícero Prado e Cecília, mais conhecido como Cícero Prado, está localizado nos Campos Elíseos. As curvas de sua fachada fogem um pouco dos conceitos modernistas, que privilegiavam as linhas retas, mas acrescentam complexidade à obra. Composto por três blocos, o condomínio trouxe um design inovador para o período de sua construção (1953) e resistiu bem ao tempo, mantendo o charme e a imponência.

 

Edifício Louvre, de João Artacho Jurado

Mais um projeto de Artacho Jurado, este no centro de São Paulo, o edifício foi concebido na década de 1950 e levou 15 anos para ser concluído. O condomínio possui quatro blocos com nomes de pintores famosos (Rembrandt, Da Vinci, Renoir e Velazquez), com 25 andares e 14 unidades por andar. Um detalhe curioso é que as pastilhas de vidro que compõem a fachada foram criadas especialmente para o prédio, em cores que não constavam no catálogo da Vidrotil.

 

Edifício Eiffel, de Oscar Niemeyer

Localizado na Praça da República, no centro de São Paulo, e projetado na década de 1950 por Oscar Niemeyer, o Edifício Eiffel tem 23 andares em sua torre principal e duas torres laterais com 11 andares cada. O destaque do projeto fica por conta do cobogó nas fachadas e da configuração duplex dos apartamentos, o que era uma novidade na época de sua construção, entre 1952 e 1956.

 

Edifício Louveira, de Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi

Um dos edifícios mais renomados de Higienópolis, foi projetado em 1946, por João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, e construído em 1950. O condomínio é composto por dois blocos retangulares horizontais alinhados, com fachadas coloridas, separadas por um jardim e conectadas por rampas. A implantação dos prédios permite a integração visual do espaço público com o privado, de certa forma assimilando a Praça Vilaboim ao interior do condomínio. O edifício foi tombado pelo Condephaat, como importante representante da arquitetura moderna paulistana.

 

Edifício Prudência, de Rino Levi

Um dos principais condomínios residenciais de Higienópolis, o edifício Prudência e Capitalização (mais conhecido como Prudência) é um projeto de Rino Levi, com colaboração de Roberto Cerqueira César e Luís Roberto Carvalho Franco e paisagismo de Burle Marx. Construído entre 1944 e 1948, é considerado um dos ícones do modernismo paulistano, período em que a cidade começava a se verticalizar. Com uma fachada que se integra ao entorno, o prédio inovou ao trazer elementos como ar-condicionado e torneiras aquecidas nos apartamentos, além de divisórias móveis, que permitiam personalizar a planta.

 

Edifício Lausanne, de Franz Heep

Construído entre os anos de 1953 e 1958, em Higienópolis, o Lausanne é um conjunto de dois prédios projetados por Franz Heep. Com 15 andares e 60 apartamentos, sua principal característica são as janelas revestidas com lâminas de ferro e coloridas, intercalando verde, vermelho, bege e branco. Esse mosaico de venezianas dá movimento à fachada, que também conta com uma pintura de Clovis Graciano. O edifício foi tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) em 2018.

 

Edifício Jaraguá, de Paulo Mendes da Rocha

Um dos poucos prédios residenciais criados por Paulo Mendes da Rocha, o Edifício Jaraguá se localiza na Pompéia e foi projetado em 1984. Em estilo brutalista, com materiais como vidro e concreto, é um dos marcos na paisagem do bairro, fazendo uso do declive do terreno para proporcionar uma vista privilegiada dos apartamentos.

 

Huma Klabin, de Fernando Viegas e Una Arquitetos

Um edifício que ajudou a alterar a paisagem do bairro da Vila Mariana, onde predominavam fachadas neoclássicas, o Huma Klabin foi projetado em 2016 por Fernando Viegas e Uma Arquitetos. Todo em concreto aparente, conta com apenas 11 pavimentos e 5 unidades por andar. Sem muros, o prédio possui uma pequena praça com jardim em sua frente.

 

Vitra, de Daniel Libeskind

O icônico edifício, projetado por Daniel Libeskind e construído em 2015 pela incorporadora JHSF, é um dos residenciais mais cobiçados do Itaim Bibi. As angulações na fachada formam volumes que refletem o entorno, em harmonia com as varandas dos 14 apartamentos. Com metragens entre 565 e 1.145 m², cada uma das unidades tem planta exclusiva. As áreas comuns contam com design de Dado Castello Branco.

 

Pop XYZ, de Triptyque

Concebido pelo escritório franco-brasileiro Triptyque para a Idea!Zarvos, o Pop XYZ é um prédio que captura o espírito jovial e multifacetado da Vila Madalena, onde se localiza. Foi construído em 2016 e apresenta oito volumes, com acessos independentes, distribuídos de forma orgânica para acompanhar a morfologia do terreno e interligados por passarelas metálicas. As plantas dos apartamentos também são variadas em sua configuração. A fachada apresenta materiais como concreto e azulejos com motivos geométricos em tons de branco e azul, que remetem às origens do bairro, colonizado por portugueses.

 

Oito, de Isay Weinfeld

Projetado por Isay Weinfeld para a IdeaZarvos!, em 2013, o edifício também se localiza na Vila Madalena, destacando-se em meio às casas que compõem a paisagem. Um dos mais elegantes exemplares da arquitetura contemporânea paulistana, destaca-se pela simplicidade de sua fachada em linhas retas, composta por um único volume quadrado, com estrutura aparente na cor preta. As varandas envolvem toda a construção, o que dá permeabilidade ao prédio, que também conta com uma ampla área verde no térreo. São 12 pavimentos: os 3 primeiro com as áreas comuns e os 8 restantes (que dão nome ao edifício) abrigando um imóvel por andar, com plantas flexíveis.

 

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