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Benedito Abbud: influência no paisagismo brasileiro

Mestre da arquitetura de paisagens que alia natureza e sofisticação

 

Benedito Abbud é um dos mais influentes nomes da arquitetura paisagística brasileira, ao lado de Burle Marx e Rosa Kliass, estendendo-se a demais países como Uruguai, Argentina e Angola. Graduado em Arquitetura pela Universidade de São Paulo (FAU-USP), Abbud acompanhou o processo de transformação do que representa o projeto paisagístico no Brasil.

Na década de 70, as construtoras ainda não tinham uma visão prioritária para essas questões, o que restringia a implantação de um conceito mais amplo sobre a importância do paisagismo em diferentes camadas. Afastando-se da concepção de que áreas verdes se enquadram como detalhes puramente estéticos, o arquiteto incute no tema o seu valor para a sustentabilidade nas esferas ambiental, social e pessoal.

O paisagismo nas 3 esferas

Para Benedito, o entendimento das características locais, como questões climáticas e do bioma, permitem a busca por soluções de baixo impacto ambiental. Ciente de seu imenso potencial em transformar ambientes, conferindo-lhes harmonia, conforto, segurança e funcionalidade, o paisagismo atua diretamente como uma importante ferramenta àqueles que buscam melhor qualidade de vida.

Da mesma forma, Abbud se atenta a como a natureza interfere no convívio social, valorizando não somente o espaço, mas também a cultura em que está inserida, promovendo experiências mais agradáveis e com maior lazer, além de proporcionar maior conexão entre a cidade e as pessoas.

O paisagismo nos 5 sentidos

Em seus projetos, o arquiteto pensa nos cinco sentidos despertados na interação entre o indivíduo e o ambiente: a visão, a audição, o olfato, o tato e o paladar. Aqui, aspectos como a textura das plantas selecionadas até os aromas produzidos ou os sons que as árvores promovem, por exemplo, compõem uma noção mais ampla e completa do que ele concebe como paisagismo.

Nesse sentido, buscar sempre a sintonia com a arquitetura, melhorando os pontos de interesse nos espaços, é o que Benedito chama de “acupuntura paisagística”. Para ele, “o paisagismo é uma das pouquíssimas expressões artísticas, talvez a única, em que você possa enaltecer os cinco sentidos”.

Com mais de 600 obras em parceria com a Encol, um dos grandes nomes de empresas do setor da construção civil, Benedito consegue prestígio no mundo imobiliário demonstrando, em seus projetos, a importância de explorar o paisagismo de uma forma mais ampla. O Parque do Jaraguá, a Praça Victor Civita e a Cidade Jardim são três ótimos exemplos de obras que transmitem os fundamentos arquitetônicos e paisagísticos defendidos por Abbud.

Parque Jaraguá

 

Parque do Jaraguá – São Paulo

Primeiro projeto de Benedito, em 1977, de extrema importância para a paisagem da cidade de São Paulo. Dividido em dois setores, o parque conta com área de lazer, trilhas e anfiteatro com área preservada, configurando o sopé, e o mirante, localizado no pico do projeto e que oferece uma bela visão da mata nativa e da cidade ao fundo.

 

 

 

Praça Victor CivitaPraça Victor Civita – São Paulo

Com uma parceria entre o poder público e uma empresa privada, o projeto tomou forma e trouxe uma proposta de visita interativa. A praça oferece atividades diversas, como oficinas, palestras e espaços para apresentações artísticas, além do deck que auxilia na reabilitação do solo por meio da captação de água da chuva. Esta captação, por sua vez, é reaproveitada na irrigação das plantas.

Foi em 2008 que o local se tornou um museu aberto de sustentabilidade que simboliza como áreas degradadas podem ser devolvidas à cidade. Isso porque, lá atrás, o solo foi gravemente contaminado por um antigo incinerador, transformando-se, posteriormente, em uma história viva de recuperação.

 

 

Cidade Jardim – Rio de Janeiro

Projetada por Benedito, em uma área de 512.000 m², A Cidade Jardim é um dos maiores exemplos da materialização das filosofias do arquiteto. Com áreas verdes de acesso público ocupando 30% do terreno, o parque une a vida urbana à natureza, proporcionando espaços vivos e dinâmicos e melhorias na qualidade ambiental, além da acessibilidade decorrente do conceito Calçada Viva, defendida pelo arquiteto, que integra a ideia de passeios públicos nivelados, arborizados e possíveis a todas as pessoas.

Segundo Abbud, “os parques permitem a evidente melhora na qualidade ambiental com a utilização de vegetação nativa, frutíferas e floríferas para atrair a a fauna, promover sombreamento durante os deslocamentos e atividades, além de um considerável ganho em conforto térmico. Todos estes aspectos contribuem para a tendência urbana de promover um contato maior com a natureza”.

Conheça alguns dos mais reconhecidos paisagistas atuando no país, capazes de transformar o trabalho com plantas em verdadeiras obras de arte.

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