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Os novos sentidos do verbo inovar

A futurista Sabina Deweik e o diretor de inovação e expansão da Esquema Imóveis, Marcelo Alcântara, falam sobre o que torna uma empresa e seus profissionais inovadores

 

Vivemos em um contexto imprevisível, hiperconectado e dominado pela ansiedade, no qual percebemos, cada vez mais, uma aceleração da vida e dos negócios. Dentro desse cenário, como podem as empresas e também as pessoas se manter inovadoras e criativas? De acordo com Sabina Deweik, caçadora de tendências, futurista e coach ontológica, a resposta está na capacidade de nos alfabetizarmos para o futuro.

“Passamos de um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo, para um mundo frágil, ansioso, não linear e incompreensível. Paira uma sensação de medo, por conta da pandemia, da falta de recursos econômicos, da morte, da doença, da sociabilização e até mesmo da solidão”, explica Sabina. “Já não existe mais uma linearidade, porque a causa e o efeito não podem ser calculados com total precisão.”

Conforme observa a futurista, a habilidade de leitura de cenários no mundo pós-pandêmico, que foi chamada no Fórum Econômico Mundial de futures literacy, permite às pessoas melhor compreenderem o papel do futuro naquilo que veem e fazem. “As empresas vão precisar dessa habilidade, porque os cenários estão extremamente complexos”, argumenta Sabina. “Além disso, ao invés de serem resilientes, as empresas precisarão se tornar antifrágeis.”

A antifragilidade é um conceito criado pelo autor Nassim Nicholas Taleb, segundo o qual a resiliência é a capacidade de retornar ao seu estágio original após ser impactado por um evento externo, enquanto a antifragilidade usa o caos e volatilidade para prosperar. Para Sabina, essa adaptabilidade ao contexto, que permite fazer uma leitura das condições e dar uma resposta rápida, é o que possibilita às empresas crescerem, mesmo em períodos aparentemente caóticos.

“A pandemia obviamente impactou muito a necessidade das empresas de se reinventarem. Essa necessidade já existia, mas foi acelerada”, comenta. Segundo a futurista, pesquisas indicam que as pessoas têm se tornado cada vez mais descrentes de sistemas e estruturas que, no passado, eram associadas à confiança. “Hoje, o consumidor está depositando toda essa confiança nas empresas, então elas têm um papel extremamente relevante. De que forma? Promovendo um impacto positivo no mundo.”

 

Digitalização e responsabilidade social e ambiental

A primeira questão que deve ocupar a mente dos gestores diz respeito ao papel que a empresa tem, para além da venda de produtos e de serviços. “Como ela está cuidando do meio ambiente, impactando a comunidade, promovendo a diversidade e a inclusão?”, questiona Sabina. Trata-se de prestar atenção às pautas que são relevantes na atualidade, buscando construir equipes multidisciplinares e utilizando essa diversidade – de gênero, raça, idade, repertório – como potência, para evoluir. Antigamente, não era comuns que as empresas se posicionassem, mas hoje elas precisam “sair de cima do muro”, especialmente no que diz respeito à regeneração social e ambiental.

Quanto aos profissionais, para que se mantenham inovadores, Sabina recomenda o lifelong learning, ou seja, um aprendizado contínuo e não formal. “No passado, bastava fazer uma faculdade, um MBA, e estávamos prontos para o mercado de trabalho. Atualmente, não podemos parar de aprender – em viagens, TED Talks, livros, workshops, mini cursos… O treinamento contínuo é cada vez mais importante, inclusive aprendendo coisas que são distintas da nossa área de trabalho, mas que podem nos tornar profissionais diferenciados”, salienta. De acordo com a futurista, trata-se da aquisição não apenas de habilidades técnicas, mas dos chamados soft skills, isto é, características extremamente humanas e que estão relacionadas à colaboração, inteligência emocional, criatividade e empatia. “Neste momento de tamanha transformação digital e automação dos empregos, cada vez mais o profissional precisa ser humano e aprofundar as habilidades que uma máquina não é capaz de ter.”

Outro aspecto essencial, para Sabina, é que as empresas tenham um mindset digital. “A pandemia acelerou a digitalização do mundo e, por isso, as empresas que já estavam em um processo de transformação prosperaram nesse período.”, completa. “Existe uma necessidade de olhar para as novas tecnologias não como um fim, mas como um meio de aceleração – para chegar mais rápido ao consumidor, simplificar processos, melhorar estoques, aumentar a produtividade e até mesmo impactar positivamente determinadas comunidades.”

Segundo a futurista, estamos em um momento não somente de realidades aumentadas através da tecnologia, mas da ética aumentada. “Como posso fazer uso dos meus dados com transparência, personalizado um produto ou serviço para meu consumidor e ao mesmo tempo entendendo seus hábitos, para oferecer algo que vá de encontro a esses valores, necessidades e desejos?”, questiona. Nesse sentido, um dos maiores desafios das empresas e de seus líderes é ter um propósito bem definido e alinhado às ações. “O storytelling, a narrativa, precisa estar coerente com o storydoing, ou seja, com o que se faz. As pessoas, hoje em dia, não se engajam simplesmente por uma marca, mas por uma série de valores.”

 

Inovação no mercado imobiliário

Essa corrida constante para permanecer à frente, em um mundo que avança de forma cada vez mais rápida, existe em praticamente todas as áreas de atuação. De acordo com Marcelo Alcântara, diretor de inovação e expansão da Esquema Imóveis, a necessidade de reinvenção está presente também no mercado imobiliário, sempre em busca de tecnologias de ponta e novas maneiras de trabalhar, principalmente no segmento de alto padrão.

“Nós já vínhamos endereçando essas questões, mesmo antes da pandemia. Todos os nossos imóveis têm fotos e vídeos profissionais, muitos com gravações em 3D ou feitas com drone, para que as pessoas já possam ter uma perspectiva geral do produto no próprio site. Estamos começando a testar a visualização dos imóveis com óculos de realidade virtual, o que já é uma tendência lá fora”, observa Marcelo. “Também percebemos que nosso atendimento jurídico ganhou muito com a digitalização. Hoje, as principais assinaturas de contratos são feitas pela plataforma DocuSign.”

Segundo o diretor de inovação e expansão, os desafios enfrentados desde o ano passado acabaram se mostrando muito positivos, já que nos ensinaram a trabalhar de outras formas. “Muitas das conversas com clientes e advogados, até mesmo reuniões de equipe e de gerência, passaram a ser realizadas pelo Zoom ou Teams, o que fez com que se tornassem mais assertivas e bem aproveitadas, além de trazer rapidez”, destaca. “Também passamos a oferecer um suporte para nossos corretores, no que diz respeito às mídias digitais. Agora, é normal que eles façam atendimentos por vídeo. Como nosso material digital é bastante robusto, quando o corretor seleciona os imóveis, o cliente já tem uma ideia bastante apurada dos produtos e da região, então as videochamadas servem apenas para sanar dúvidas. São ferramentas que já existiam, mas que tiveram seu uso ampliado e se tornaram essenciais, pela praticidade e facilidade.”

Para continuar inovando e permanecer na vanguarda, nessa realidade em transformação, Marcelo conta que a Esquema Imóveis está estudando o uso de inteligência artificial para seleção de imóveis e avançando nas técnicas de direcionamento de publicações e campanhas, além de criar estratégias para a fidelização de clientes, como o Clube de Oportunidades. “Para nós, mais importantes do que sermos um canal de informação, é transmitirmos diretamente para nosso público, através das plataformas digitais, todo o conhecimento que temos sobre as regiões com que trabalhamos. O diferencial é a maneira como expressamos esse conteúdo.”

Entre as inspirações de Marcelo e da equipe de inovação da Esquema Imóveis estão grandes empresas do segmento de alto padrão de Nova York, da Califórnia e da Flórida, assim como da Europa. “Estamos sempre acompanhando o trabalho de profissionais que consideramos inovadores, em mercados já consolidados, para ver quais são as ferramentas e as tecnologias que estão surgindo. No Brasil, empresas como a Idea!Zarvos e a Three também nos inspiram muito”, ressalta. Segundo ele, a inovação não está somente no uso de novas tecnologias, mas na maneira de lidar com as pessoas. Afinal, as formas de se relacionar, tanto com colaboradores quanto clientes, também mudam e precisam ser reinventadas.

 

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