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Pop Art: cor, atualidade e irreverência

O movimento artístico que agitou os anos 1950 e 1960 nos Estados Unidos e no mundo, revelando nomes como Andy Warhol, Keith Haring e Roy Lichtenstein

 

“A vida não é uma série de imagens que mudam conforme se repetem?”  Andy Wahrol

Obras de arte extremamente coloridas, com foco em experimentações, referências da cultura pop e objetos do cotidiano, muitas vezes de maneira repetida ou aumentada. Essas são características marcantes da Pop Art, movimento artístico que surgiu nos anos 1950 e teve seu auge na década de 1960, embora continue influenciando a arte contemporânea. Quem não conhece a reprodução do rosto de Marilyn Monroe, por exemplo, criada por Andy Warhol e famosa até os dias de hoje?

Inspirada na cultura de massas, a Pop Art utilizava imagens e personalidades populares como matéria-prima para a criação de obras irreverentes, que ironizavam o estilo de vida materialista e consumista, especialmente dos norte-americanos. O peculiar movimento marcou uma mudança de pensamento e de percepção artística, determinando o final do Modernismo e dando início ao período da Arte Contemporânea.

Na realidade, o termo Pop Art como definição de um gênero distinto despontou na Inglaterra e nos Estados Unidos, no período pós Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, caracterizava um interesse na cultura popular e em interpretações imaginativas de produtos comerciais – incluindo publicidade, desenho industrial, cartazes e revistas ilustradas. O movimento acabou inspirando uma nova e acessível abordagem à sensibilidade artística. Transitando entre excentricidade e crítica social, as obras produzidas eram verdadeiros comentários sobre a vida e os eventos da época.

Conforme observou o artista Jim Dine, “Pop é tudo o que a arte não tem sido nas últimas duas décadas. É basicamente um retorno a uma comunicação visual representacional, movendo-se a uma velocidade de arranque… Pop é o reengajamento do mundo… É o Sonho Americano, otimista, generoso e inocente”.

Entre os principais nomes da Pop Art, em uma lista encabeçada por Andy Warhol, estão diversos outros artistas reconhecidos até os dias de hoje, como Roy Lichtenstein, David Hockey, Keith Haring, Richard Hamilton, Jasper Johns, Larry Rivers, Eduardo Paolozzi, Robert Rauschenberg, Tom Wesselmann, James Rosenquist, Ed Ruscha e Claes Oldenburg.

 

Marilyn Monroe, de Andy Warhol

 

O que definiu a Pop Art?

Com um estilo único e facilmente reconhecível, o movimento se destacou por sua imagética ousada, linguagem figurativa e realista, paleta de cores fortes e uso repetitivo ou exagerado de uma mesma imagem (característica inspirada na produção em massa de artigos para consumo). Os temas em si eram parte do cotidiano da vida urbana e referências da cultura popular, mas ganhavam destaque pelo tratamento dado a eles pelos artistas.

A ideia era desafiar e confrontar as “belas artes”, elevando ao patamar de arte objetos comuns, personagens do entretenimento (cinema e televisão), de histórias em quadrinho e do universo da publicidade. Os artistas do movimento utilizavam com frequência marcas e rótulos de produtos em suas pinturas e esculturas, como é possível ver no conhecido trabalho de Warhol mostrando as latas de sopa Campbell. Desse modo, os elementos da cultura eram banalizados e ironizados. Ou seja, o contexto histórico e cultural era tão importante quando os materiais escolhidos para a confecção das obras.

 

Ignorance = Fear, de Keith Haring

 

Breve história da Pop Art

Entre os primeiros artistas que ajudaram a desenhar os conceitos da Pop Arte estiveram Eduardo Paolozzi e Richard Hamilton, na Inglaterra, e Larry Rivers, Robert Rauschenberg e Jasper Johns, nos Estados Unidos. Foi uma espécie de reação às ideias abstratas do Expressionismo, buscando sua inspiração em objetos do cotidiano, removendo o teor emocional das obras e mantendo uma certa frieza ambivalente.

Em Nova York, o movimento ganhou popularidade com artistas como Andy Warhol, Roy Lichtenstein, James Rosenquist e Claes Oldenburg, sempre buscando referências que pudessem gerar repercussão internacional (retiradas dos meios de comunicação de massa e da cultura pop). Talvez eles tenham sido os primeiros a reconhecer que, no mundo moderno, não é possível existir qualquer criação artística que não passe por alguma intermediação – seja comercial, ambiental ou cultural. Como acreditavam que tudo estava conectado, a proposta era deixar essas conexões literais e evidentes em seus trabalhos.

A maioria dos artistas Pop iniciou sua vida profissional na arte comercial: Andy Warhol era um bem-sucedido ilustrador de revistas e designer gráfico, Ed Ruscha também trabalhava como designer e James Rosenquist começou sua carreira como pintor de outdoors. O repertório e a experiência no mundo publicitário foram ferramentas que treinaram esses artistas no vocabulário visual da cultura de massas, aprimorando suas técnicas para combinarem elementos clássicos e populares/contemporâneos.

Como era de se esperar, a Pop Art chegou até o Brasil e também influenciou artistas por aqui, nos anos 1960 e nas décadas que se seguiram. Nomes como Carlos Fajardo, Duke Lee, Luiz Paulo Bavarelli, Emmanuel Nasser, Claudio Tozzi, José Roberto Aguilar e Antonio Henrique Amaral são alguns dos exemplos. Entre as principais características Pop incorporadas pelos brasileiros, estavam as referências aos gibis e o uso das impressões em silk-screen, que realçavam o brilho das cores.

 

Astronauta, de Claudio Tozzi

 

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