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Higienópolis: um bairro completo

Primeiro bairro de São Paulo a ter saneamento básico, Higienópolis se destaca pelos edifícios modernistas e por sua infraestrutura completa

 

O bairro de Higienópolis, um dos mais tradicionais de São Paulo, surgiu da iniciativa de dois empreendedores alemães – Martinho Bouchard e Victor Northmann, por volta de 1890. A capitania do Pacaembu, onde hoje se encontra Higienópolis, pertencia aos jesuítas. O Marquês de Pombal foi quem retirou as terras da congregação e as disponibilizou para fazendeiros de Itu, que lotearam a região em chácaras de 10 mil metros quadrados; atualmente, elas formam os quarteirões do bairro. Bouchard e Northmann importaram da França o projeto e os materiais para a construção desse que planejavam ser um novo loteamento de alto padrão na capital paulista. Inicialmente, o nome dado ao local seria Boulevard Bouchard.

A denominação que é usada atualmente, Higienópolis, quer dizer “cidade da higiene”.  Isso porque o bairro foi o primeiro de São Paulo a possuir saneamento básico. Diferenciais como as redes de água e esgoto, além da iluminação a gás, arborização e linhas de bonde o tornaram atrativos para as classes mais privilegiadas, já que naquela época a disseminação de doenças por conta das enchentes era muito comum. O fato de que a região se encontrava em um ponto alto da cidade, não atingido por alagamentos, também contou muito a seu favor.

 

Rua Maranhão, em Higienópolis, na década de 1910

 

Vista de Higienópolis, tirada da Praça Buenos Aires, em 1924

 

Palacete que é capa do livro “Higienópolis: Grandeza de um Bairro Paulistano”, de Maria Cecília Naclério Homem

“Higienópolis foi sendo ocupado por fazendeiros, comerciantes e empresários, que ergueram seus elegantes palacetes e mansões, em estilo eclético, reproduzindo modelos franceses daquela época”, conta Cláudia Saad, corretora da Esquema Imóveis. Figuras importantes da história brasileira viveram no bairro, como a artista plástica Tarsila do Amaral, o jornalista Júlio de Mesquita, o empresário Franz Müller e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de celebridades da televisão, como Jô Soares, Antônio Fagundes e Adriane Galisteu. “É comum, ao caminhar pelas ruas e pelo shopping, cruzar com artistas e políticos. A individualidade é bastante respeitada”, completa o corretor Luiz Valle.

O desenvolvimento de Higienópolis, fazendo com que se tornasse um bairro central de alto padrão, deu-se principalmente por conta das elites do café que ali habitaram, no início do século XX. Com a popularização de bairros vizinhos, como os Campos Elíseos, diversas famílias da alta sociedade paulistana acabaram migrando para lá. Algumas das ruas que cortam a região foram inclusive nomeadas para homenagear pessoas importantes para a história da cidade, como a Avenida Angélica, a Rua Dona Veridiana e a Rua Maria Antônia – três mulheres da elite de São Paulo que moraram em Higienópolis. “Foi um bairro planejado, que não cresceu aleatoriamente”, destaca a corretora Soraya Ramires.

“A mansão de Dona Veridiana Valéria da Silva Prado, filha do barão de Iguape, era um dos locais preferidos dos intelectuais e da elite paulistana no início do século passado, para seus encontros e discussões”, explica Cláudia. Uma curiosidade é que, atualmente, a casa que pertencia ao mordomo de Dona Veridiana abriga a famosa Pizzaria Veridiana. Já o palacete que pertenceu a Veridiana é hoje a sede do Iate Clube de Santos, um ponto de encontro muito utilizado em eventos sociais.

 

O auge dos edifícios modernistas
Edifício Bretagne

 

Entre os anos 1930 e 1960, ocorreu a verticalização do bairro, quando alguns dos arquitetos mais conceituados do modernismo brasileiro – como Rino Levi, Vilanova Artigas, Franz Heep e Artacho Jurado – realizaram projetos de edifícios em Higienópolis, experimentando novas propostas residenciais, o que ajudou a moldar sua identidade modernista. Características como a integração entre as áreas, com planta livre e colunas ao invés de paredes, ainda são alguns dos maiores atrativos dos apartamentos na região. Os prédios se destacam também pela funcionalidade, pelos vãos livres e pelo uso de materiais como o aço, vidro e concreto armado. “Esses arquitetos fizeram algo novo: misturar a arte com a arquitetura. Diversos prédios possuem obras pinturas e azulejos. Fazer isso naquela época era muito inovador”, explica Cláudia.

Edifício Lausanne

“Hoje, algumas incorporadoras estão fazendo coisas semelhantes, com painéis de artistas famosos, mas antigamente o único lugar onde isso acontecia era Higienópolis”, destaca Soraya. “O paisagismo é outra característica marcante. São prédios que possuem jardins internos, como se fossem praças. Não se fazia piscinas antigamente, o que se valorizava era a natureza no interior do prédio: trazer as árvores da praça para dentro.” Um exemplo disso é o Edifício Hortência, na Avenida Angélica, que tem uma área ajardinada com bancos e um salão de festas que comporta até 200 pessoas, lembrando um boulevard.

Entre as construções modernistas mais icônicas do bairro se destacam o Edifício Bretagne (projetado por Artacho Jurado, foi um dos primeiros na cidade a utilizar o conceito de condomínio-clube: com piscina, salão de festas, restaurante, piano-bar e um jardim na cobertura), o Edifício Lausanne (projeto de Franz Heep, caracterizado por uma “fachada dinâmica” de venezianas brancas, verdes e vermelhas), o Edifício Louveira (de Vilanova Artigas, cujo térreo ajardinado se integra à rua e à Praça Vilaboim) e o Edifício Prudência (um projeto de Rino Levi e de Roberto Cerqueira Cesar, com paisagismo e azulejos no hall da entrada criados por Roberto Burle Marx).

 

Edifício Louveira

 

Infraestrutura de lazer e serviços

O corretor Luiz Valle conta que viveu em Higienópolis por mais de 40 anos. “É um bairro seguro. Eu e minha esposa às vezes íamos à última sessão de cinema e voltávamos andando para casa. Lembro que, até o final dos anos 1970, havia na Praça Marechal Deodoro, na esquina com a Rua Albuquerque Lins, uma sorveteria artesanal muito famosa: a Casa Whisky. Para lá iam pessoas de todos os locais, saborear um bom sorvete, em plena calçada e com toda a descontração”, recorda.

O bairro é servido por duas linhas de metrô (estação Higienópolis-Mackenzie / linha amarela e estação Marechal Deodoro / linha vermelha), com uma nova linha em construção (Angélica-Pacaembu / linha laranja), além do ônibus circular elétrico e de diversas linhas de ônibus. “É um bairro próximo ao centro e de fácil acesso para outras regiões de São Paulo, como os Jardins, as Zonas Oeste, Sul e Leste. Também possui fácil acesso para a Marginal Tietê e rodovias Dutra, Trabalhadores, Anhanguera, Bandeirantes e Castelo Branco”, salienta Luiz.

Higienópolis abriga também duas das principais universidades de São Paulo: a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Entre as principais escolas estão o Colégio Sion, Colégio Rio Branco e Santa Terezinha. “Tanto em escolas de ensino fundamental quanto em faculdades, o bairro está muito bem servido”, afirma Soraya.

Paróquia de Santa Terezinha, em Higienópolis

Para o culto religioso, as opções são muito diversas. Entre as igrejas católicas estão a de Nossa Senhora de Sion, a Paróquia Santa Terezinha e a Igreja Imaculado Coração de Maria. Higienópolis também possui várias sinagogas, para a comunidade judaica que habita na região, além de igrejas presbiterianas, evangélicas e centros espíritas.

Quanto a hospitais, também não faltam opções. “Há o Santa Isabel (Santa Casa), o Samaritano, o Sabará, próximo ao Instituto do Coração (Incor), o Hospital das Clínicas e o Hospital do Câncer, além do Instituto Emilio Ribas”, cita Luiz. Higienópolis conta ainda com uma infraestrutura completa de laboratórios, clínicas e médicos particulares.

Já a corretora Ana Saguas observa que as opções gastronômicas no bairro estão entre seus maiores atrativos. “Higienópolis conta com restaurantes de renome, como o Antonietta Cucina, Carlota, Sal Gastronomia, Le Jazz, Pizzaria Dona Veridiana, Jardim di Napoli, Pobre Juan, Mercearia do Francês, Jerome e MoDi, além da famosa padaria Le Pain Quotidien. Também há uma enorme variedade de lazer e entretenimento no Shopping Pátio Higienópolis, com lojas importantes, incluindo a Livraria da Vila, além de academia, cinema e teatro”, destaca.

 

Shopping Pátio Higienópolis

 

Segundo Ana, o bairro lembra uma cidade de interior, porque os moradores e trabalhadores da região acabam se conhecendo e interagindo. Também é perfeito para programações gastronômicas a pé. “Eu vejo a Rua Mato Grosso como o bairro de Recoleta, em Buenos Aires, porque ali estão sendo abertos muitos restaurantes”, observa. “É uma rua pequena, tranquila e gostosa para passear. Tem um restaurante que serve frutos do mar na calçada, pra você degustar.”

Com relação às áreas verdes, o Parque Buenos Aires tem mais de 22 mil metros quadrados e costuma ser muito frequentado pelos moradores do bairro. Originalmente uma praça, foi criado em 1912, com o objetivo de preservar a vista sobre o Vale do Pacaembu. Atualmente, o local dispõe de espaço infantil, área pet e aparelhos de ginástica, além de espelhos d’água, inúmeras esculturas, pistas para caminhadas, bancos e sanitários.

 

Parque Buenos Aires

 

Outra área verde muito importante em Higienópolis é a Praça Vilaboim. O local é um dos principais pontos de encontro do bairro, já que é cercado por bares e restaurantes. Além disso, acontecem na praça feiras livres, com artesanato e comidas especiais, além da apresentação de bandas. “No verão, a praça tem alguns eventos ao ar livre, com geleias, queijos e vinhos. Sempre há um palco com algum tipo de música tocando. São eventos maravilhosos, com um ambiente familiar”, comenta Soraya.

 

Praça Vilaboim

 

Higienópolis conta ainda com o Estádio do Pacaembu, na praça Charles Miller, inaugurado em 1940. Além do campo de futebol, há um clube com ginásio de esportes, quadra externa e ginásio de tênis, pista de corrida, quadras cobertas e uma quadra descoberta com piscina olímpica. Com sua arquitetura art déco, o estádio foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) e abriga o Museu do Futebol.

 

Estádio do Pacaembu, que abriga o Museu do Futebol

 

De acordo com Cláudia, no Pacaembu existe também uma feira, que durante muitos anos foi conhecida por contar com excelentes fornecedores de alimentos especializados. “Há cerca de duas décadas, aquele era o ponto onde se encontravam os melhores produtores. A gente sentava nos caixotes e contava piadas, era um espaço de convivência. Todo sábado de manhã eu passava nessa feira com meus filhos, para comermos alguma coisa. Por muito tempo, esse foi o melhor local de compras selecionadas do bairro”, lembra.

 

Vantagens de morar em Higienópolis

De acordo com a corretora Ana Saguas, os imóveis em Higienópolis têm a vantagem de contar com dimensões maiores e valores menores por metro quadrado, com relação a outros bairros de alto padrão da cidade de São Paulo. “Higienópolis é um lugar muito tranquilo. As calçadas são largas e as ruas arborizadas, tornando os passeios pelo bairro muito agradáveis. Além disso, é uma região de topografia plana”, ressalta.

Conforme explica Ana, a predominância é de apartamentos de arquitetura modernista, com metragens acima de 120 ou 150 metros quadrados. “Os prédios são recuados e os imóveis contam com plantas retangulares, pé-direito alto e janelões. São ideais para reformas”, detalha a corretora. Luiz acrescenta que praticamente não há terrenos disponíveis para construção. “O que está ocorrendo é a demolição de alguns imóveis, como o antigo Colégio Renascença, por exemplo, onde a construtora Elias Victor Nigri está desenvolvendo um empreendimento residencial.”

 

 

O perfil de moradores do bairro, por muito tempo, foi de pessoas com idade mais avançada, já que características como o silêncio e a tranquilidade tendem a ser muito atrativas para essa faixa etária. “Entretanto, de uns dez anos para cá, o bairro tem sido procurado por casais mais jovens ou pessoas solteiras, em especial artistas e arquitetos, justamente pela bela arquitetura de seus edifícios, com áreas úteis maiores e valores por metro quadrado muito atraentes”, explica Ana.

 

 

Existem no bairro também propriedades tombadas ou em processo de tombamento, casas do século passado, a maioria delas adaptadas para uso comercial – agência bancária, churrascaria, padaria, escola de inglês, etc. “Um exemplo é o casarão que foi sede da Secretaria da Segurança Pública, localizado na Avenida Higienópolis, que atualmente está em processo de tombamento pelo Condephaat. Já a antiga Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (FAU) inicialmente era um edifício idealizado para servir de residência à família de Armando Álvares Penteado. Ela se localizava na Rua Maranhão, em um casarão art nouveau que seguia a tendência da época e foi projetado por Carlos Ekman”, conta Luiz.

No que diz respeito aos apartamentos, os ambientes espaçosos são um verdadeiro “parque de diversões” para quem quer reformar. Pessoas que prezam por muito espaço e que buscam uma planta para modernizar encontram no bairro as soluções ideais. Segundo a corretora Soraya, as principais característica dos imóveis em Higienópolis são as janelas do piso ao teto, o piso em madeira nas áreas sociais (geralmente em tacos), a ampla distribuição dos ambientes, muita ventilação e iluminação naturais, além de muito verde.

 

 

O custo da metragem varia um pouco no bairro, dependendo das condições em que o imóvel se encontra, mas geralmente é mais baixo do que em outras regiões de São Paulo consideradas nobres, como os Jardins. A média do valor para reforma é de R$ 7 ou 8 mil por metro quadrado. Já para imóveis reformados e prontos para morar, esse valor fica entre R$ 10 e 12 mil por metro quadrado. “Os prédios mais próximos ao Parque Buenos Aires são mais procurados. Também influencia se o edifício tiver garagem, já que muitos não possuem vagas. Esse tipo de apartamento atrai pessoas mais jovens, que não fazem tanta questão de ter carro, por exemplo. Mas é possível encontrar plantas de até 500 m2 por um valor excelente, para reformar, perfeitas para quem gosta de mexer no imóvel e deixá-lo com a sua cara”, conclui Ana.

 

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